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Mil trabalhadores ditam o fecho da Rodhe

A Rohde, a maior empresa de calçado existente no país, terminou, ontem, oficialmente a sua actividade. Os trabalhadores, únicos credores, não acreditaram no plano de viabilização e votaram pelo encerramento. Perto de mil trabalhadores estão no desemprego.

Sem qualquer tipo de expressões de tristeza ou lamento e até com afirmações generalizadas de "alívio", os trabalhadores da Rohde, na Feira, decidiram-se maioritariamente pelo encerramento da multinacional luso-alemã, instalada no país desde 1974. Ficou apenas o sentimento de "revolta" que a maioria dos 980 trabalhadores diz sentir pela angústia vivida ao longo dos últimos três anos.

Os resultados da derradeira assembleia de credores não deixaram margem para dúvidas sobre o sentimento de descrédito generalizado numa possível recuperação da empresa. Votaram contra a proposta de viabilização 866 trabalhadores (86,5%) e a favor apenas 51 trabalhadores (13,2%). Houve quatro abstenções.

No final da votação, o juiz titular do processo declarou a cessação da actual administração e ordenou a "imediata apreensão" dos bens da insolvente a consequente liquidação e partilha dos mesmos.

O plano de viabilização da administração propunha a criação de uma nova empresa com 150 postos de trabalho (ver caixa), mas o argumento não convenceu os trabalhadores. A recusa a esta proposta era esperada e acabaria por ser explicada por uma das trabalhadoras na assembleia de credores.

"Não concordamos com a proposta de emprego para 150. Para isso é melhor o encerramento. Queríamos pelo menos emprego para 400 a 500 pessoas", lembrou. "Mas se querem criar uma nova empresa e dar emprego a essas pessoas podem fazê-lo na mesma", justificou Olga Pedrosa. Afirmações muito aplaudidas.

São devidos aos trabalhadores cerca de 13 milhões de euros. Verba que agora se tenta angariar com a venda do património, mas que poderá não ser conseguida na totalidade.

Com o encerramento previsto da Rohde, a comissão de trabalhadores e sindicato reuniram-se com o presidente da Câmara, Alfredo Henriques, para tentar convencer o autarca a proceder à alteração do Plano Director Municipal, na zona onde se encontram as instalações. Querem que o espaço, de predominância industrial, passe a zona habitacional. Desta forma, os terrenos seriam valorizados e aumentadas as possibilidades de receberem a totalidade dos seus créditos.

Os trabalhadores encontram-se desde Dezembro com o fundo de desemprego, depois de terem suspendido temporariamente o contrato de trabalho. Vão continuar a usufruir sensivelmente dos mesmos apoios, mas agora na condição efectiva de desempregados.