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Sacrifícios para manter o trabalho

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Número de vítimas de assédio moral e pressão laboral que não apresentam queixa aumenta com a crise e o desemprego.

«Vale a pena algum sacrifício pessoal para manter o emprego» ou «é melhor ter um mau trabalho do que não ter ne-nhum» são frases cada vez mais comuns na nossa sociedade, principalmente devido à actual crise económica.

De salientar que desde o início da crise, em Agosto de 2008 e até Março do presente ano, Portugal já perdeu mais de 94 mil postos de trabalho.

Contactado pelo Destak, o presidente da Associa-ção Portuguesa de Profissionais em Sociologia Industrial das Organizações e do Trabalho explica que este raciocínio da sociedade portuguesa, além de aumentar a pressão sobre os trabalhadores, também fomenta o crescimento do número de vítimas de assédio moral e pressão laboral que não se queixam às entidades competentes por medo de ficarem sem emprego.

Segundo Norberto Rodrigues, Portugal, assim como o resto da Europa, «tem presenciado um grande aumento do número de casos de pessoas que sofrem de stress, ansiedade, tensão e outros problemas que são motivados por estes riscos psicossociais presentes no trabalho», os quais são «muito mais dificeis de provar do que os físicos».

Essa dificuldade em confirmar comportamentos de assédio moral no trabalho, pressão e até chantagem perante o Tribunal, aliada ao medo que os funcionários têm de sofrer represálias do patrão - «pois é fácil identificar quem apresentou queixa porque o tecido empresarial nacional é constituído essencialmente por Pequenas e Médias Empresas -, faz com que os portugueses evitem a Autoridade para as Condições do Trabalho e o sistema jurídico».

O que é o assédio moral

De acordo com o Código do Trabalho, há assédio moral quando se verifica um comportamento com «o objectivo ou o efeito de afectar a dignidade do trabalhador e criar um ambiente intimidativo, hostil, degradante, humilhante ou desestabilizador».

Na prática, a estratégia mais vulgar passa por colocar o funcionário «na prateleira», muitas vezes sem computador e até sem acesso a telefone. Mas o isolamento é igualmente um dos «métodos maquiavélicos» mais usados.

No ano passado, o especialista em Direito do Trabalho Fausto Leite apontava para a existência de 100 mil vítimas deste tipo de crime no nosso país.

«Há largas dezenas de milhares de falsos acordos de cessação de contrato que na realidade são despedimentos e que muitas vezes são precedidos de assédio moral. É um meio de pressão, chantagem e desestabilização».

 

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Por  Patrícia Susano Ferreira | This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it. In Destak